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Mãe peregrina: o calvário da gestante capixaba
27/03/2018 - 16:23


A gestação é um período de grandes transformações na vida de uma mulher; um momento mágico e turbulento. A gravidez, seja planejada ou surpresa, envolve muitas expectativas durante os nove meses e a proposta, para a gestante, seus familiares e parceiro, é sempre de um grande desafio e, acima de tudo, muito cuidado. São vivências e sentimentos muito contraditórios, entre a euforia e a ansiedade.

A mulher passa pela adaptação do corpo e a adaptação psicológica. As alterações hormonais, a pressão externa, além, é claro, da responsabilidade interna com a nova vida que está se desenvolvimento em seu ventre. O primeiro trimestre é sempre muito intenso e prepara o caminho para o que está por vir. A preocupação com a saúde da criança contrasta com a preocupação pela própria saúde. É uma verdadeira batalha pela vida, de ambas.


Ainda, existem as questões sociais que deixam qualquer mãe aflita. E o emprego, será que consegue manter? A vida em casa sofrerá mudanças drásticas? A vida sexual será afetada? Terá apoio da família ou do companheiro? Inúmeras são as questões que interferem a saúde psicológica da mulher durante nove meses que são extremamente naturais, comuns e inerentes à gestação. Exceto a garantia de um parto digno, isso jamais deveria ser uma preocupação da gestante, é um dever do Estado .

A mulher tem seus direitos enquanto gestante, que competem à Saúde Pública o atendimento digno e respeitoso, sem distinção de raça, cor, orientação sexual, religião, idade ou condição social; o Estado deve conferir à gestante, ainda, o direito de ter conhecimento prévio das maternidades disponíveis para a realização de seu parto, direito a acompanhante antes, durante e após o parto no SUS; no momento do parto, saber o nome do profissional que realizará o procedimento para fortalecer a relação médico-paciente neste momento tão importante, dentre outros direitos que lhe são indispensáveis.

Contudo, na última semana, o que vimos foi um verdadeiro caos na saúde pública. As maternidades superlotadas e, uma delas, de referência na Grande Vitória, chegou a fechar por incapacidade de atender à demanda devido a falta de leitos. Gestantes de alto risco instaladas em enfermarias improvisadas, peregrinando e implorando por uma vaga para dar a luz a seus filhos, correndo todo o risco de parir e não ter vaga nas UTIN’s. Precisamos dar dignidade e respeito às mulheres capixabas antes, durante e após o parto e, para tal, o gestor não pode, jamais, negligenciar às suas obrigações. Cumpra-se!

Fonte: Artigo veiculado no jornal A Gazeta (26/03)

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