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Qual o valor da dívida do médico que financia 100% do curso?

11/01/2018 - 18:43


Quanto sairá devendo um jovem médico que financia 100% do curso de medicina? O Simers simulou a dívida no site do Programa de Financiamento Estudantil (Fies), do governo federal, considerando a média das mensalidades das universidades particulares do Rio Grande do Sul e verificou que, para quitar o débito, o médico recém formado vai se deparar com uma rotina de múltiplos empregos e, em alguns casos, adiar o sonho de especializar-se.

O presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, destaca que o curso de Medicina é o que mais exige tempo e dedicação do estudante. São cerca de 10,5 mil horas-aula, em média. “Como se não bastasse, o curso de Medicina também costuma estar entre os mais que mais oneram o estudante das faculdades privadas. É mais uma prova de que precisamos valorizar o médico, que faz um investimento inigualável de tempo e dinheiro para reunir as condições técnicas e legais de estar frente a frente com seus pacientes, e que muitas vezes leva décadas para obter o retorno desse investimento”, pontua o dirigente.

O cálculo do Simers considerou a média a partir dos valores informados nos sites das universidades particulares com curso de medicina no Rio Grande do Sul. Importante ressaltar que nem todas instituições de ensino disponibilizam dados a respeito das mensalidades.

O relato de quem financiou

Quem já financiou o curso conta como é sair da universidade com uma dívida tão consistente para pagar. “Eu tinha um ano de carência do financiamento após formado. Só que eu fiz a faculdade em sete anos, não em seis. Então, eu já tive que começar a pagar de cara, não teve aquele ano de espera. Essa foi a minha maior dificuldade. Precisei começar a fazer vários bicos para me manter”, explica o médico Raudi Fagundes. Formado em 2012, ele vai quitar a dívida em 2025.

A médica Isadora Campagna Torres utilizou outra financiadora para subsidiar metade do valor do curso realizado em 2012 em uma universidade da região metropolitana de Porto Alegre. Ela já conseguiu saldar a dívida, que iniciou com parcela mensal de R$ 2.900, mas confessa que precisou adiar a residência para isso. “Trabalhei muito, fiz plantão em lugares diferentes e nos finais de semana. Em função do crédito não fiz residência. Optei pela especialização em psiquiatria, pois tinha que ter turnos livres para trabalhar, já que a mensalidade do crédito e os juros iam subindo de acordo com o valor atualizado da faculdade”, revela.

Fonte: SIMERS