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Violência contra o médico: todos perdem
28/09/2017 - 13:54

Artigo do Presidente Otto Baptista, veiculado na Coluna Opinião, do jornal A Gazeta

Nos últimos anos, o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, insistentemente, apontou os descasos contra a classe médica no seu ambiente de trabalho. Foram incansáveis campanhas apontando as péssimas condições de trabalho, falta de material necessário e indispensável para o exercício da função, situações amplamente insalubres em todos os municípios da Grande Vitória. Infelizmente, apesar da nossa batalha diária para abrir os olhos da população e dos gestores públicos a respeito, principalmente, da violência contra o médico, o infortúnio aconteceu. A tragédia que nenhum de nós, da classe médica, gostaria de abordar: tivemos um profissional médico baleado em seu ambiente de trabalho.

As informações sobre o caso chegam desencontradas através da imprensa. "A médica reagiu a um assalto," alguns dizem; "a médica sofreu um atentado, foram quatro tiros alvejados contra sua cabeça", outros insistem. Entretanto, as informações sobre o caso tornam-se irrelevantes, visto que a única verdade que nos traria conforto seria que a médica sequer teria sido baleada. Que os profissionais médicos estão protegidos para o exercício de sua função, que existe guarda armada para garantir a segurança da população que habita uma unidade de saúde - sejam profissionais, funcionários e/ou pacientes. Infelizmente, mas não por falta de aviso do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, um colega de profissão sofreu uma violência em seu ambiente de trabalho, um atentado contra sua vida.

Em meio a esse caos, a essa desesperadora tragédia, buscamos apoiar a família da profissional de medicina que colocava sua vida em risco diariamente para salvar a vida de seu próximo. Em meio a essa tragédia, questionamos os poderes públicos, qual a solução para este problema? Até quando um médico terá que colocar, literalmente, sua vida em jogo para cuidar de seu povo?

O Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, agora mais do que nunca, jamais cessará a busca pela segurança dos médicos em seus postos de trabalho. A violência está escancarada, a segurança já não existe e a população ficará desassistida até que as providências sejam tomadas. A ausência da dignidade para com os médicos, coloca-os frente a frente com seu juramento. De maneira brutal, foram colocados diante um do outro, dois semelhantes que juraram guardar respeito absoluto pela Vida Humana.

Que a dor conferida à categoria médica através do crime hediondo jamais seja esquecida. Nossos sinceros sentimentos à família da médica oncologistas pediátrica, Milena Gottardi. A população e a classe médica imploram por socorro.

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