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Com o ''Dr. Google'', o melhor remédio é a prudência

14/06/2017 - 14:57


As pessoas estão cada vez mais conectadas e antenadas, consumindo os mais variados tipos de informações. Mas quando o assunto é saúde, é preciso muito cuidado para não acreditar em tudo que está publicado na internet.

Aquela dor de cabeça insistente, um programa de TV que alerta para uma mancha de pele, qual o melhor remédio para determinada doença e lá vai o paciente para… o consultório? Não. Para o “Dr. Google”. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e qualidade (ICTQ), em 16 capitais de todas as regiões do país, com 2.340 pessoas revelou que Brasília é a capital brasileira que mais ultiliza a internet como ferramenta para autodiagnóstico. No Distrito Federal, 66% dos entrevistados assumiram que utilizam  a internet para pesquisar sobre sintomas e medicamentos. Vitória (ES) e Salvador (BA) aparecem em segundo lugar com 59% seguidas por Natal (RN), com 55% e João Pessoa (PB), com 53%. A pesquisa revelou que o sintoma dor de cabeça foi o termo mais procurado de acordo com os entrevistados.

Para o pesquisador e farmacêutico do ICTQ, Ismael Rosa é preciso cuidado na hora de avaliar os resultados obtidos dessa busca. “As interpretações equivocadas de um autodiagnóstico, devido ao total de desconhecimento técnico e científico do cidadão comum, desencadeia uma série de situações que poderão levar o risco de morte, em virtude do adiamento do  correto diagnóstico de uma doença”.

Há um ano, o Hospital Albert Einstein e o Google lançaram uma parceria para resultados de busca sobre a saúde. O hospital revisa as informações gerais sobre doenças e sintomas mais procurados no Google, como explica da Dra. Juliana Soares, coordenadora da equipe de médicos para a parceria do Google com o Hospital Albert Einstein. “A parceria é fruto dos ideais em comum das instituições como a difusão de  conhecimento e de informação. Devido ao elevado número de buscas na internet  por  assuntos relacionados à saúde (uma em cada vinte buscas), em meados de 2015 o Google promoveu a descrição das doenças com maior número de procura na internet, em parceria com a Mayo Clinic, nos EUA. Com a proposta de expansão desta descrição de doenças para outros países, incluindo o Brasil, surgiu a parceria com o Einsteins. Certificar-se sobre a origem da informação é imprescindível, sempre dando preferência para informações provenientes de sites vinculados às Instituições ou personalidades idôneas.

A Dra. Juliana também destaca que a consulta médica é importante para o relacionamento entre o paciente e o médico. “A disseminação de informações de qualidade sobre saúde atua no sentido de empoderar o paciente, uma vez que, a partir do momento que ele dispõe de informações sobre a sua condição de saúde, ele pode, além de compreender melhor a situação, argumentar junto ao profissional de saúde, esclarecer suas dúvidas e compreender de forma mais clara quais os próximos passos em relação ao seu quadro de saúde”.

Questão ética


A conversa entre médicos sobre casos clínicos e alternativos de tratamento é uma prática permitida, já que é promovida para a melhoria do paciente. Uma ferramenta muito utilizada por médicos e pacientes é o Whatsapp. O aplicativo facilita o compartilhamento de informações, por exemplo, de casos clínicos, desde que a identidade do paciente seja preservada. Aqui cabe ressaltar  um trecho do Juramento de Hipócrates: “Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conversarei inteiramente secreto”.

Por outro lado, os pacientes utilizam o recurso na tentativa de um acesso imediato com o profissional da área médica. Mas até que ponto, esse tipo de contato tecnológico entre médico e paciente é permitido?  Uma conversa entre médico e  paciente via WhatsApp, pode ser considerada uma consulta?  O Dr. Simônides da Silva Bacelar, membro da comissão Nacional de Revisão do Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM) avalia essa situação. “O paciente não pode ser atendido via aplicativo. O médico precisa fazer a anamnese, solicitar exames e deixar tudo registrado no prontuário. O contrário disso é antiético. Existem procedimentos que são identificados através do odor ou da textura. Nada substitui a visita ao médico para ser examinado e ter o caso corretamente diagnosticado”.    

Ele também destaca a importância de trazer o debate sobre ética para o meio acadêmico. “As faculdades de Medicina precisam apresentar  para os estudantes o que é a ética médica. Os médicos precisam ter conhecimento geral do amplo, tratar o doente e não apenas a doença. Médico precisa ter cultura, saber abordar e mostrar a realidade para os seus pacientes”.

Riscos



O Brasil possui uma população ativa na internet. De acordo com a 11ª edição da pesquisa TIC Domicílios 2015, que mede os hábitos dos brasileiros com as tecnologias de informação e comunicação, 58% da população está conectada na internet, representando 102 milhões de pessoas. O telefone celular é o dispositivo mais utilizado para se manter online.

A busca por informações sobre sintomas e doenças na grande rede ganhou o nome de cybercondria, uma prática de chegar a conclusões precipitadas ou até erradas, durante a pesquisa por algum tema relacionado a saúde.

A administradora Beatriz Vilhena. 27 anos, faz uso do Google na tentativa de decifrar alguns sintomas de possíveis doenças. “Busco as mais variadas informações, de remédios até suas causas. Se vou ao médico, eu confirmo o diagnóstico no Google. Um dos remédios que mais uso foi por indicação do Google. Fiz uma pesquisa para encontrar um remédio para substituir outro. Mudei o remédio e a minha vida mudou consideravelmente”.

O pesquisador Israel Rosa chama a atenção para o risco de intoxicações, interações medicamentosas e exacerbação de reações adversas, em razão da automedicação após o autodiagnóstico pela internet. “Alertamos para que as pessoas sempre procurem um médico e o farmacêutica para obterem atendimento especializado, diagnósticos preciso, acompanhamento e orientações quanto ao uso dos medicamento”.

Fonte: ICTQ