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Servidores denunciam superlotação no Hospital Infantil de Vila Velha
17/05/2017 - 15:37

Foto: Divulgação/Sindsaúde

Superlotação, estrutura precária, falta de medicamentos e materiais, e número insuficiente de médicos e técnicos de enfermagem. Essas são algumas da reclamações de profissionais de saúde que atuam no Hospital Estadual Infantil e Maternidade de Vila Velha (Heimaba). Com atendimento improvisado nos corredores da unidade, o Sindicato dos Trabalhadores de Saúde do Espírito Santo (Sindsaúde) alega que os profissionais estão sem condições de prestar a devida assistência às crianças.

Segundo o diretor do Sindsaúde, Valdecir Gomes do Nascimento, "existe um processo de sucateamento da saúde pública", feito pelo Governo do Estado, para justificar a terceirização do gerenciamento do Hospital Infantil de Vila Velha, que teve o processo licitatório para contratação de uma Organização Social (OS) suspenso pelo Ministério Público Estadual.

“A demanda aumentou, o número de leitos diminuiu sistematicamente de 2014 pra cá. Faltam profissionais, materiais e medicamentos. E o Estado simplesmente está deixando como está, ficando tudo sucateado, para depois privatizar”, acusa Valdecir.

O problema de superlotação, segundo o sindicato, se agravou com a mudança de 26 leitos da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) do Hospital Dório Silva para o Heimaba, em dezembro de 2016. Com isso, a enfermaria não tem comportado o número de pacientes e algumas crianças são atendidas nos corredores.
"Em 2016, o Heimaba gastou em torno de R$ 30 milhões com custeio. Mas o repasse previsto pelo Estado, caso a unidade fosse terceirizada, seria de R$ 87 milhões. Então, o governo está oferecendo dinheiro da população para empresas privadas travestidas de OS”, declarou o diretor do Sindsaúde.

Trabalhadores do Hospital também reclamam da estrutura física do local. Conforme é possível ver no vídeo feito dentro da unidade, partes do teto estão cedendo. De acordo com Otto Baptista, presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes), a situação atual do hospital compromete o bom atendimento e por isso deve ser resolvida com urgência.

“O Simes levou o corpo clínico do Hospital para um reunião com a Sesa para expor a situação e a resposta que nós tivemos era que, para resolver esses problemas, seria necessário haver o processo de terceirização em função das dificuldades financeiras, mas houve a suspensão desse processo. Então esperamos a tramitação desses embargos”, disse o presidente.

Falta até pediatra

Segundo funcionários, o Hospital Infantil tem ficado, todas as semanas, sem o serviço de pediatra socorrista das 19 horas de quinta-feira até as 7 horas da segunda-feira seguinte. Também há reclamações de falta de técnicos de enfermagem na unidade. “Nunca vi um hospital infantil que não tem pediatra para atender durante quatro dias. Isso é gravíssimo”, frisou Valdecir, do Sindsaúde.

Procurado pela reportagem de O EstadoES, o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) informou que, em relação à falta de profissionais no Hospital Estadual Infantil de Vila Velha (Heimaba), ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) em face do Estado do Espírito Santo, em outubro de 2016, visando à realização de concurso público para contratação de médicos pediatras para o local. A ação proposta pela Promotoria de Justiça Cível de Vila Velha está tramitando na Justiça.

OUTRO LADO

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) informou que a direção do Hospital Estadual Infantil e Maternidade de Vila Velha reconhece o desafio diário de otimizar o atendimento e destaca que a demanda vem crescendo com a saída dos usuários do plano de saúde que migraram para o SUS. "Todos os pacientes estão sendo atendidos e, os que não estão na enfermaria, ficam nas cadeiras do papai ou nos berços até que sejam transferidas para outro local", destaca a nota.

A Sesa informou ainda que vem discutindo com os municípios a organização do atendimento de urgência e emergência. "Com a transferência do pronto socorro do Hospital Estadual Infantil de Vitória para a área do Hospital da Polícia Militar, em Bento Ferreira, será ampliada a oferta de leitos pediátricos no Estado. Serão 112 leitos, sendo 75 novos leitos. As obras de reforma já estão na fase final e a abertura dos leitos deve ocorrer até o início de julho", diz o texto.

Fonte: GERALDO CAMPOS JR | geraldocampos@oestadoes.com.br

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