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Três meses sem atendimento por causa de greve
19/04/2017 - 15:56

Aos 84 anos, a aposentada Alaíde Aguiar Gama sofre com Mal de Alzheimer e está há cerca de três meses sem se consultar com um médico no  hospital  a Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo, no Centro de Vitória.

Esse drama é enfrentado não só pela idosa como por outros centenas de associados que estão sem atendimento por causa de uma greve dos médicos que trabalham no ambulatório, que já dura três meses. “Minha mãe precisa consultar com geriatra. Para pegarmos o medicamento dela no Centro Regional de Especialidades (CRE) dependemos de uma receita. Como ele não está atendendo, estamos tendo que comprar o remédio”, desabafa a funcionária pública Alair Aguiar Gama, 52, filha de dona Alaíde.

Segundo Alair, apesar de os atendimentos estarem paralisados, a mensalidade de R$ 246,00 é cobrada da mãe normalmente. E nesse período de greve teve até um acréscimo, superior a 5%. Os médicos relatam que a greve é motivada por atraso no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de  serviço (FGTS), falta de medicamentos e principalmente por atraso nos pagamentos. “Há médicos que estão há cinco meses sem receber. O salário é a nossa subsistência”, relata a fisiatra e diretora do Sindicato dos Médicos Maria da Penha Gobbi.

De acordo com o diretor geral do Hospital da Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo Gustavo Stefenoni, os salários estavam atrasados devido a questões que afetaram as finanças do hospital. Ele assegura que foram feitas inúmeras propostas de acordo aos médicos, que nunca foram aceitas.

E por isso, ontem, a diretoria ingressou com um pedido de dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região. ''A desembargadora Wanda Lúcia Costa Leite de Franca Decuzzi nos concedeu uma liminar declarando a greve dos médicos ilegal e abusiva, determinando que eles retornem imediatamente ao trabalho. Foi fixada uma multa de R$ 5 mil, por dia, contra o Sindicato dos Médicos em caso de não retorno ao trabalho”, disse.

Quanto à queixa das cobranças mesmo que os atendimentos estavam suspensos, Stefenoni esclareceu que elas foram mantidas para arcar com as despesas de atendimentos que estavam mantidos, tais como urgência e emergência. O reajuste, ele afirmou, foi comunicado aos associados.

Médicos vão voltar a trabalhar, mas não informam quando

Por entender que a greve é ilegal, no final da tarde de ontem, o Tribunal Regional do Trabalho concedeu uma liminar, no pedido de dissídio coletivo,  determinando o retorno imediato dos médicos ao trabalho. De acordo com a diretora do Sindicato dos Médicos, Maria da Penha Gobbi, a categoria  acatará a decisão.

Contudo, ela não informou se isso será feito de forma imediata. “Vamos retornar para o trabalho, mas queremos saber como os  nossos salários atrasados serão pagos”. Um cirurgião, que prefere não ter a identidade revelada, afirma que os médicos ainda não foram notificados da  liminar, mas quando isso acontecer, acatarão a decisão. “O sindicato ainda está debatendo o que a Associação alegou. Quando formos notificados  amos atender”.

Quanto ao pagamento dos salários atrasados, o diretor-geral do Hospital da Associação dos Funcionários Públicos do Espírito Santo, Gustavo Stefenoni, assegurou que será marcada uma audiência junto ao Tribunal Regional do Trabalho para estipular de que forma eles serão quitados. A data da audiência ainda não foi definida.