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Médicos: superlotação e falta de gestão causam erros em hospitais
08/11/2016 - 14:34

Foto: Simes                                    Fonte: WESLEY RIBEIRO | Jornal A Gazeta

Superlotação, equipamentos sucateados, má qualificação profissional, sobrecarga de trabalho, erros médicos e falhas no processo de entrada e saída de pacientes estão entre as principais causas que levam a sequelas e mortes de pacientes nos hospitais públicos e privados.

É o que apontam entidades médicas no Estado, o que comprova um estudo inédito realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), publicado por A GAZETA no final do mês passado. Segundo a pesquisa, a cada três minutos mais de dois brasileiros (2,47) morrem devido a falhas. Esse número é maior do que o de óbitos por câncer e doenças cardiovasculares.

Para Carlos Magno Pretti, presidente do Conselho Regional de Medicina no Estado (CRM-ES), são as não conformidades que geram tanto sequelas quanto óbitos, e elas ocorrem quando a entrada e saída dos pacientes não estão alinhadas. Exames indevidos, medicações erradas, trocas de exames, procedimentos trocados, má identificação do paciente e mesmo falhas médicas decorrem desse problema.

''Além de um comitê de segurança, um hospital creditado tem que ter seus processos de entrada e saída alinhados, o que minimiza essas falhas'', assegura. A má gestão e desqualificação de médicos que atuam na saúde básica também têm contribuído para óbitos de pacientes, de acordo com a Associação Médica do Espírito Santo (Ames).

Nessa conta, o presidente da entidade, Carlos Alberto Gomes dos Santos, soma a superlotação, a falta de medicamentos, os equipamentos sucateados, o quadro enxuto de médicos com plantões que contam muitas vezes apenas com um profissional para atender cerca de 60 pacientes, e os baixos salários.

''No início deste mês fizemos uma blitz no Hospital Infantil deVitória, na UPA de São Pedro, no CRE Metropolitano e no UPA de Alto Lage e a situação estava crítica. Outro problema é a atuação de médicos não revalidados, que atendem na rede básica de saúde, e que não detêm o conhecimento necessário para atender às demandas. Com isso, os hospitais ficam lotados'', critica Santos.

Já Otto Baptista, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado (Simes), diz que tanto pacientes quanto médicos são vítimas da precariedade. ''Faltam vagas em Unidades de Tratamento Intensivo e os pacientes sofrem com a piora do seu quadro clínico. Além disso, muitas vezes faltam equipamentos para exames e os corredores ficam superlotados. Há médicos até adoecendo pelas péssimas condições de trabalho e porque sofrem ao ver que pouco podem fazer pelo paciente em algumas situações'', conclui.

Alguns problemas levam a óbitos

- Superlotação
- Falta medicamentos
- Equipamentos
sucateados
- Sobrecarga de trabalho
- Problemas de processo: troca de medicamentos, exames indevidos, má identificação de pacientes, troca de medicação, falhas médicas.

Entrevista
Para Carlos Magno Pretti, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-ES), o alinhamento do processo de entrada e saída de pacientes é fundamental para garantir sua segurança.

Por quê?


Qualquer processo indevido pode levar a sequela ou óbito do paciente. Errar a identificação do paciente, por exemplo, pode levar a realização de um procedimento médico errado. Pode haver tambem troca de medicamentos e exames indevidos. Tudo isso pode prejudicar o paciente.

Pode haver também falha médica?

Falha médica também, não estamos nos isentando disso, principalmente levando em consideração a estrutura onde muitos médicos trabalham.

Uma pesquisa da UFMG revelou que a cada três minutos morrem mais de dois brasileiros em hospitais por causa de falhas.

Sim, concordamos com a pesquisa. O que feriu a categoria foi o título que A GAZETA deu à publicação dessa pesquisa, que dá a entender que são os médicos que matam. A pesquisa se refere a falhas em geral, o que o texto da matéria explica. O titulo ''erro médico mata mais pacientes do que câncer, diz pesquisa'' não tem nada a ver com o texto e gerou revolta na categoria.

O que faz um hospital creditado?

É justamente o processo de entrada e saída, desde que estejam alinhados, pois isso minimiza os riscos de falhas. Além disso, todo hospital tem que ter um comitê de segurança para acompanhar esses processos.


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