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4 mitos sobre o antibiótico
01/11/2016 - 13:45

Foto: PEDMED

Mito 1: humanos inventaram os antibióticos no século 20
 
O primeiro antibiótico clinicamente seguro e eficaz foi o Prontosil Rubrum, sulfonamina sintetizada em 1931. No entanto, este não foi o primeiro agente.
 
A análise genética indica que as bactérias inventaram os antibióticos e um mecanismo de resistência a eles há cerca de 2,5 bilhões de anos. As bactérias foram matando umas as outras com estas armas e usando mecanismos de resistência para se protegerem.
 
Para se ter uma ideia, em 2011 foi publicado um estudo em que pesquisadores exploraram uma caverna profunda no Novo México, nunca antes acessada por seres humanos. Eles cultivaram inúmeros tipos de bactérias nas paredes da caverna. Cada estirpe era resistente a, pelo menos, um antibiótico moderno; a maioria era multirresistente.
 
Mito 2: uso inapropriado de antibiótico desenvolve resistência
 
''Se pudéssemos eliminar o uso inapropriado de antibióticos, a resistência bacteriana não se desenvolveria'', esse mito é muitas vezes repetido, no entanto não é isso que mostram as evidências. Todo uso de antibióticos causa pressão seletiva na bactéria. O uso adequado aplica a mesma pressão seletiva do inadequado.
 
A verdadeira questão é que devemos sim parar o uso inadequado de antibióticos, mas porque este não oferece nenhum benefício. O uso apropriado é necessário para reduzir a mortalidade e morbilidade por infecções bacterianas.
 
Mais sobre antibióticos:
 
– Cientistas desenvolvem polímeros que podem matar superbactérias sem antibiótico
– Exposição precoce a antibióticos aumenta risco para rinite e eczema
– Usar antibiótico por menos tempo é melhor para as crianças
– O tempo para o início do antibiótico na sepse faz diferença?
 
Mito 3: para prevenir a resistência, os pacientes devem tomar todas as doses prescritas, mesmo depois de se sentirem melhor
 

Não há dados para apoiar a ideia de que continuar tomando antibióticos prescritos, mesmo após a melhora dos sintomas de infecção, reduz o aparecimento de resistência.
 
Na verdade, diversos estudos indicam que as terapias de curto período são menos propensas a criar resistência aos antibióticos. Cada ensaio clínico randomizado que já comparou terapias de curta duração com as de longo curso, em vários tipos de infecções agudas bacterianas (incluindo sinusite bacteriana aguda, pneumonia associada à ventilação mecânica, infecções do trato urinário, etc), descobriu que as de curto prazo são tão eficazes quanto.
 
Pacientes que se sentem melhor, sem mais nenhum dos sintomas de infecção, devem ser orientados a retornar ao médico para determinar se os antibióticos podem ser interrompidos mais cedo. Os profissionais de saúde devem estar receptivos a este conceito e não temer a personalização da duração do tratamento.
 
Mito 4: resistência é, geralmente, uma consequência de novas mutações no local da infecção
 

Este mito provavelmente deriva do conhecimento de que a resistência em tuberculose ocorre no local da infecção, devido à mutações espontâneas do tratamento. No entanto, a doença possui características distintas de outras infecções bacterianas.
 
No caso da tuberculose, a resistência só pode ocorrer no local de infecção porque não há reservatório ambiental e ela não faz parte da flora natural das pessoas. Suas cavidades também contêm densidades muito elevadas de bacilos (1012 por grama), que predispõem o surgimento de resistência em monoterapia.
 
Quando se utilizam antibióticos típicos (diferentes de isoniazida, que é específico para a tuberculose), eles inevitavelmente causam uma pressão seletiva na flora bacteriana. Na maioria dos casos, a resistência não surge no local da infecção durante o tratamento, mas sim entre as bactérias no intestino ou na pele.
 
Orientações
 

A resistência aos antibióticos é inevitável e, por isso, é muito importante não desperdiçar seu uso. Eles não devem ser prescritos para pacientes sem infecções bacterianas. Além disso, não instrua os pacientes a tomar todas as doses prescritas, mesmo depois de melhora clínica. Explique que eles podem voltar para uma nova consulta e finalizar o tratamento mais cedo.

Fonte: Vanessa Thees/ PEBMED