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Entidades médicas do Espírito Santo evidenciam todo o caos na saúde pública
19/10/2016 - 16:55

Foto: Simes

O Sindicato dos Médicos do Espírito Santo realizou nesta terça-feira (18), junto à AMES e o CRM-ES, nova vistoria nas unidades de saúde, hospitais municiapais e estaduais da Grande Vitória. Em ação válida pelo Dia do Médico, parte da campanha pela Valorização do Trabalho Médico, as entidades realizaram blitze para colher com os médicos todas as informações sobre os problemas estruturais e de condições de atendimento à população, para, então, documentar e enviar para a imprensa, secretarias de saúde, Ministério Público e demais órgãos responsáveis pela gestão da saúde.

A ação teve início na parte da manhã, com visitas ao São Lucas, Hospital Infantil de Vitória, PA de São Pedro, CRE Metropolitano, PA de Alto Lage e, finalizando, no HIMABA, em Vila Velha. Com todas as mazelas expostas, as entidades convocaram coletiva de imprensa para mostrar para a população todos os problemas no atendimento básico à saúde público, que são de responsabilidade única e exclusiva dos seus respectivos gestores, conforme apontou Dr. Otto Baptista.
''A realidade não é das melhores. Falta de leitos de retaguarda e a superlotação são os principais problemas. Em cima disso vêm as consequências, que são a sobrecarga de trabalho para o médico, a aglomeração dos pacientes, a situação desumana em que são tratados'', apurou o presidente do Simes e da Fenam.

Registros


Durante a vistoria, o sindicato registrou em vídeo a situação encontrada nas unidades. No Hospital São Lucas, 47 pacientes estavam acomodados no corredor. No Hospital Infantil de Vitória, a situação não era diferente. No corredor, grávidas e crianças eram atendidas. No Pronto Atendimento de Alto Lage, em Cariacica, pacientes também lotam os corredores.

O CRE Metropolitano apresenta um dos maiores descasos com a população e com os médicos no Estado, a superlotação e as grandes filas para qualquer tipo de atendimento são constantes. Pacientes esperando atendimento por 4h; populares em pé, fazendo fila para retirada de medicamentos na farmácia popular; tudo isso convivendo com obras, goteiras, nenhuma ventilação ou ar condicionado, mau cheiro, foco de mosquitos, entre outras condições sub humanas de atendimento.

"Hoje a atenção básica inexiste, ela é um faz de conta em que não atinge nem o objetivo que deveria, que seriam os programas de prevenção de doenças crônica.  Infelizmente, isso acaba prejudicando a urgência e emergência, sobrecarregando e fazendo com que a busca de leitos de UTIs fique cada vez mais comprometida", finalizou o presidente Dr. Otto Baptista.

Debate pela saúde pública

Após a coletiva, as entidades médicas receberam representantes de diversos órgãos capacitados para resolver os problemas vivenciados na saúde do Estado e dos Municípios. A presença do Ministério Público, Defensoria Pública, Presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do ES, Comissão de Saúde da OAB, Sub Secretário de saúde do Estado, Médicos e Pastoral de Saúde do Estado reforçaram o pedido de socorro dos profissionais da saúde em pleno Dia do Médico e, após o debate, fora alcançada uma definição para resolver alguns dos problemas relatados neste dia 18, conforme segue abaixo:

1 - Contratação imediata de médicos pediatras para o Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), com revisão das escalas;

2 - Contratação de médicos pediatras para o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), com revisão de escala, para reabertura completa do Pronto Socorro;

3 - Criação de um espaço físico para a área administrativa do HINSG, fora de suas dependências, e a consequente ampliação de leitos para este Hospital;

4 - Firmar parceria das entidades médicas (CRM-ES, Simes e Ames) com a Comissão de Saúde da OAB-ES para participação nas fiscalizações das unidades de saúde pública e privadas do ES;

5 - Firmar parceria com o Ministério Público Estadual para atualização das ações de fiscalização já encaminhadas pelo CRM-ES e Simes;

6- Promoção de reunião das entidades médicas (CRM-ES, Simes e Ames) com a Sesa e os prefeitos eleitos na Grande Vitória para discussão de um planejamento estratégico das ações básicas de saúde e das UPAs, junto com o Ministério Público Estadual, Defensoria Pública Estadual e Comissão de Saúde da Assembleia Legislastiva;

7 - Definição da forma de gestão do Hospital da Polícia Militar (HPM), com a participação da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, do órgão representativo dos policiais militares, da Secretaria de Estado da Saúde e da Secretaria de Estado da Segurança Pública, com participação do Ministério Público Estadual;

8 - Melhoria no fluxo da regulação de vagas nos hospitais públicos, envolvendo a Direção das unidades hospitalares e delegando responsabilidades e o cumprimento das diretrizes aos respectivos gestores.

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