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Até remédio falta na emergência
17/10/2016 - 18:06

Foto: Fábio Vicentin | A Tribuna

Conforme noticiou o jornal A Tribuna, soro fisiológico e até mesmo medicamentos simples, como antibióticos e antiinflamatórios, estão em falta no pronto-socorro do Hospital Estadual Antônio Bezerra de Faria, em Vila Velha, segundo funcionários.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Espírito Santo (Sindsaúde-ES), Valdecir Gomes Nascimento, que é servidor do hospital, explicou que, caso o problema continue, haverá paralisação no atendimento do pronto-socorro. ''Vamos apenas atender os casos mais urgentes se medicamentos e ateriais continuarem em falta. Não podemos ser coniventes com essa situação. Temos de atender a população de forma digna'', ressaltou Nascimento.

Segundo ele, até mesmo soro fisiológico chegou a faltar. ''Dipirona, um remédio simples analgésico, também ficou em falta. Não há papel toalha ou copo descartável no hospital. Há até falta de roupas para fazer cirurgias.'' O diretor do Sindsaúde afirmou que o sindicato vai hoje até a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para que não haja novas faltas de materiais.

''O problema já ocorre desde o último domingo. Por conta disso, paralisamos parte do atendimento do pronto-socorro na segunda e terça-feira passada. E isso pode acontecer novamente se não houver mudanças. Queremos uma reunião com o secretário ou com um profissional da secretaria.'' Segundo ele, para conseguir alguns medicamentos durante a semana, foi preciso fazer troca entre hospitais.

''Estamos também racionando o uso de alguns produtos. Tivemos de pegar medicamentos emprestados, só não queremos continuar sendo cúmplices disso.'' Uma enfermeira que preferiu não se identificar contou que levou uma amiga na última semana até o pronto-socorro do hospital, mas que não havia nenhum medicamento.

''Não tinha soro fisiológico nem dipirona, remédio para dor e febre. Minha amiga estava com muita dor e pedi ao médico para passar um medicamento e ele disse que não tinha nenhum. Não tem como continuar funcionando dessa maneira. E eu perguntei por que o pronto-socorro estava aberto, já que não podia atender os pacientes. Chegaram a dizer que poderia fechar outra vez.''

Trocas de medicamentos foram feitas com hospitais

Questionado sobre a falta de medicamentos e materiais no Hospital Estadual Antônio Bezerra de Faria, em Vila Velha, o diretor geral do hospital, Enrielton Chaves, afirmou que, quando há falta de medicamentos, ela é considerada pontual. ''Nossa compra é feita para não faltar, mas isso depende dos fornecedores e às vezes acontecem casos de atrasos e, com isso, há faltas pontuais. Mas sempre fazemos de tudo para que isso não ocorra.''

Ele admitiu que realmente houve falta de alguns medicamentos, sem citar nomes, mas afirmou que a equipe do hospital fez trocas com outras unidades hospitalares para que o problema fosse solucionado. ''Estamos sempre dispostos a receber qualquer tipo de reclamação e tentamos resolver de todo o jeito. Também sempre otimizamos o uso de materiais, como papel toalha, por exemplo, para que não haja desperdício.''

Chaves frisou ainda que o hospital conta com grupo de estudo de custos, para que haja o melhor uso possível da renda do hospital. A Secretaria de Estado da Saúde informou que sempre mantém diálogo aberto com a categoria para resolver qualquer demanda.

Demora de duas horas em PA

A busca por atendimento médico no Pronto Atendimento (PA) do Trevo de Alto Laje, em Cariacica, foi tumultuada no início da tarde de ontem, segundo pacientes. As reclamações eram de que o tempo de espera para conseguir ser atendido chegava a duas horas. A vendedora Lorraine da Silva, 23, contou que levou a filha Bianca, de 1 mês, ao PA e demorou mais de duas horas para conseguir atendimento.

''Ela estava com febre, tosse, nariz escorrendo, tive dificuldade de conseguir um termômetro para verificar a febre dela. E ainda vou ter de voltar às 20 horas hoje (ontem), para buscar o resultado dos exames.'' Quem também aguardou duas horas para ser atendida foi a estudante Larissa Amorim, 10. A mãe dela, Selma Ferrreira, 40, contou que a filha está com sinusite. ''Às vezes falta remédio, mas hoje conseguimos todos que ela precisava.''

A dona de casa Kamila Martins, 24, e o marido, Audiney de Arruda, 24, levaram o filho Arthur, de 1 ano e meio. ''Aqui sempre demora. Hoje (ontem) conseguimos atendimento em meia hora, mas mais cedo estava complicado. Já cheguei 11 horas e só saí às 16h30 e ainda tive de voltar às 21h30 para pegar resultado de exame, mas só conseguir ir embora mais de meia-noite. Falta mesmo pessoal no PA.''

A direção clínica do Pronto Atendimento do Trevo de Alto Laje informou que a unidade estava com o quadro de profissionais completo ontem, contando com sete pediatras para atendimento no PA Infantil e oito médicos atendendo no PA Adulto.

O tempo de espera de duas horas é considerado dentro da normalidade, ressaltando que a espera depende da complexidade dos casos dos pacientes, uma vez que o PA de Alto Laje é uma unidade direcionada a casos de urgência e emergência. Lembrando também que o PA Adulto tem cerca de 600 atendimentos diários e o PA Infantil recebe 400 pacientes por dia.

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