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Um paciente morre a cada hora em hospitais do SUS
17/10/2016 - 18:07

Foto: Simes             Fonte: Jornal A Tribuna | Daniel Figueredo

Conforme veiculou o jornal A Tribuna, um paciente morre a cada hora nos hospitais que fazem atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado. De janeiro a agosto deste ano, segundo dados do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES/Datasus), foram registrados 5.675 óbitos no Espírito Santo.

Os dados apontam que a maior parte dos óbitos em hospitais ocorre em situações de urgência e emergência, ou seja, quando o paciente já chega em estado grave aos hospitais. O número é um pouco menor que o registrado no ano passado, quando foram 5.712 mortes. As cinco principais causas das mortes registradas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) foram enfarte (1.256), pneumonia (691), diabetes (523), acidente vascular cerebral (AVC) (392) e doença cardíaca hipertensiva (382).

Durante esta semana, uma médica do Hospital São Lucas e médicos do Hospital Infantil de Vitória denunciaram superlotação nos pronto-socorros e apontaram que se mais pacientes fossem enviados aos hospitais, haveria risco de morte aos pacientes. Segundo o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-ES), Carlos Magno Dalapícola, um dos fatores que influenciam na ocorrência de mortes é a falta de bom atendimento nos estágios iniciais e, com casos de superlotação e atendimentos em corredores, há riscos de que pacientes possam ter doenças agravadas nos hospitais.

''Hoje, alguns pacientes são estabilizados e aguardam em corredores em um leito improvisado, sem estrutura necessária. A falta de estrutura apropriada pode agravar o quadro dos pacientes.'' Dalapícola também atribui o aumento da demanda nos hospitais públicos à crise econômica, pois muitos perderam o plano de saúde com o desemprego. São 35 mil pacientes a mais no sistema público de saúde em relação ao ano passado, segundo a Sesa. ''É uma questão delicada, pois os hospitais recebem muitos atendimentos mais graves e, por consequência, possuem mais mortes.''

O presidente do CRM-ES afirmou que na terça-feira uma reunião entre as entidades médicas, Ministério Público e governo do Estado deve ser realizada para apontar soluções de curto, médio e longo prazo para os problemas vividos na rede hospitalar estadual na Grande Vitória. Ele afirmou que o problema se estende a outros hospitais na região metropolitana.

Melhoria na atenção básica

As entidades médicas também cobraram melhorias nas unidades de saúde dos municípios do Estado. Segundo os médicos, grande parte das demandas que lotam os hospitais poderiam ser minimizadas, caso atendimento preventivo e acompanhamento fossem realizados pelas prefeituras do Estado. ''Por conta de problemas na atenção básica, muitos pacientes acabam desistindo e não tratando das principais doenças.

Hipertensos e diabéticos, por exemplo, encontram dificuldades e batem na porta da urgência e emergência'', afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado, Otto Baptista. O presidente do CRM-ES, Carlos Magno Dalapícola, afirmou que é necessário aumentar a qualidade do atendimento ambulatorial. ''Assim, teríamos menos confusões em prontos-socorros.''

Parceria com municípios

Uma parceria do governo do Estado com os municípios está sendo realizada para tentar reduzir a forte demanda por leitos hospitalares. Segundo explicou o subsecretário de Estado da Saúde, Fabiano Marily, 80% dos problemas podem ser resolvidos com a atenção básica de qualidade. ''Cerca de 80% dos problemas de saúde podem ser resolvidos com uma atenção básica de qualidade. Estamos com a mesma estrutura, mas com uma demanda maior, que são os cerca de 35 mil usuários que deixaram os planos de saúde e podem precisar de atendimento no SUS.''

Segundo ele, medidas para desafogar o Hospital Estadual Infantil de Vitória foram adotadas, com disponibilização de 21 leitos de retaguarda no Hospital Infantil e Maternidade de Vila Velha e 21 leitos no Hospital Dório Silva, na Serra, com transferência dos pacientes que precisam de internação. O Estado também afirmou que vai aumentar o número de leitos, com a abertura de 589 novos leitos.

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